A Gênese Poética Santarena
Fase Oral
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E
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sboçar um panorama poético santareno
significa transcrever e analisar alguns textos que apresentam uma existência
histórica bem definida e foram escritos por pessoas que realmente existem ou
existiram em determinadas datas de existência do município.
Por conta disso, este
estudo preocupa-se, neste primeiro momento, em traçar a linha cronológica, que
será adotada para organizar as ocorrências da fenomenologia poética santarena.
Cabe ainda destacar, que
socorremo-nos da história para explicar os acontecimentos artísticos,
estabelecendo, de modo resumido, as conexões entre determinados fenômenos
literários e a situação política, social ou econômica da cidade.
Tomamos como datas bases
os anos de 1626, 1853 e 1971.
A data inicial
considerada pela pesquisa é o ano de 1626. Foi nesse tempo que:
“A tropa de resgates [...] sob a
chefia de Pedro Teixeira e com a assistência de Frei Cristovam de São José,
vinte e seis soldados e muitos índios mansos chegou à Taba dos Tupaius, depois
chamada Tapajós, o maior aldeamento da região que teria cerca de quinhentas
famílias ou casas... (Paulo Rodrigues dos Santos, Tupaiulândia, p.27)
Nessa época Santarém era
um bucólico aldeamento indígena cuja paisagem assim foi descrita pelo renomado
historiador Paulo Rodrigues dos Santos.
“... orlada em três faces de espessa
mataria onde vicejavam uipirangas, murucis, cajus, itaubaranas, tinha que, de
permeio, uma ou outra choça indígena, de vez que o grosso da maloca se estendia
para o centro da enseada sombreada e belo arvoredo que, em tempo de enchente,
ia-se mirar nas águas cristalinas onde se banhavam os silvícolas e brincavam os
curumins e cunhantãs da tribo. Aquela ocara-açu era a sala de vistas dos
tupaius; na praia em frente ficava o porto predileto, onde encostavam igaras e
igarités. (idem, p. 370)
Partimos, portanto,
deste primeiro momento histórico, quando Santarém ainda era a ocara-açu dos
tupaius, para dar início ao nosso estudo.
É bom salientar também,
que a tomada do ano de 1626 como o marco cronológico inicial deste trabalho
deve-se ao fato dele ser considerado pelos estudiosos como a data oficial do
descobrimento de Santarém.
Vejam o que diz Paulo
Rodrigues dos Santos:
“... Em geral, qualquer compêndio ou
notícia que aborde os primórdios da antiga aldeia dos tupaius – SANTARÉM – toma
como ponto de partida a viajem de Pedro Teixeira, em 1626. [...] Pedro Teixeira
é incontestavelmente, o descobridor do rio Tapajós, pela mesma razão que fez de
Cabral e de Colombo os descobridores do Brasil e da América. (idem, p.29)
Cumpre-nos ainda alertar
que este estudo compactua com os pressupostos levantados pó Paulo Rodrigues dos
Santos a respeito do descobrimento de Santarém e, acredita também nisto que ele
diz:
“... a verdadeira história de Santarém
deve ser contada, com maior ou menor exatidão, a partir de Pedro Teixeira.
Antes disso resvalaremos pelo nebuloso campo da lenda, da ficção e das
conjecturas. (idem, p.29).
Definida a data inicial
do exame, partimos em busca das ocorrências que possam encorpar a pesquisa.
Primeiro fato. Ano de
ocorrência – 1698, ou seja, 72 anos após visita de Pedro Teixeira.
Os vestígios das
primeiras manifestações poéticas em solo santareno são relatadas no texto
“Quando Santarém possuir academia” que abre a quinta parte da 3a edição
de Tupaiulândia.
Por conta do seu
importante conteúdo transcrevemos o texto a seguir:
“Padre Serafim Leite, S.I. na sua
História da Companhia de Jesus no Brasil, volume IV, capítulo IV, quem tem o
título de “Belas Letras e Teatro”, referindo-se à influência literário dos
jesuítas no Brasil, a certo trecho diz o seguinte:
...E esse espírito de cultura
humanística penetrava os sertões e deles se encontravam vestígios na Amazônia,
como naquela aprazível varanda da residência dos jesuítas na Aldeia de Tapajós
(hoje cidade de Santarém), lugar de recolhimento e descanso em cujos tarjões de
teto pintado, se desenhavam inscrições latinas. Conservavam-se 7 dísticos,
reminiscências da Belas-Letras clássicas, acomodados todos à local de repouso e
retiro, convidando ao silêncio, à discrição, amor do próximo, modéstia e
constância na adversidade.
Dísticos latinos escritos pelos jesuítas
I
Tutius este homini
taciturnan vitam
Quam secum sócios prosus
habere malos
(É mais seguro ao homem
levar vida calada do que fazer consigo companheiros maus)
II
Quando voles alios
verbis mordere
Caninis foeda cordis
respice, mutus eris
(Quando morder os outros
com palavras caninas (afiadas) olha as nódoas do teu coração e ficarás calado)
III
Omnibus obsequim
praestabis, ut omnis honoret te bônus,
A nullo dedecorere malo
(Sê prestável a todos,
para que o bem te honre, e não te desonre o maus)
IV
Rara juvant ânimos,
crebris fit náusea rebus, gratior et fueris quo minus ipse frequens
(As coisas raras animam,
o enfado nasce das coisas repetidas: tanto mais estimado serás, quando fores
menos assíduo)
V
Fortunam adversam debes
tolerare ferendo,
Contingat forsan ne tibi
deterior
(Deves levar com
paciência a fortuna adversa; não te suceda talvez outra pior)
VI
Multis língua nocet,
nocure silentia nulli,
Lingua dedit vitam
clausa, reclusa necem
(A muito prejudica a
língua, o silêncio a ninguém, Língua fechada deu vida; deu morte à desenfreada)
VII
Déficit amborus qui vult
servire duobos, plurima
Conantes prendere pausa
ferunt
(Falta a ambos quem quer
servir a dois. Quem tenta colher muito, leva pouco.)
(Quem muito abarca pouco
aperta...)
Quando
Santarém possuir academia, tem onde colher os primeiros elementos de sua vida
literária, (1) D. Fr. João de S. José- “Viagens e Visita do Sertão” na Ver. Do
Inst. Brás. IX – 2 ed. (1869) 78-80. “Dizem correr esta obra por conta do P.
Joaquim de Carvalho”. Nem sempre foi correta a cópia de D. Fr. João, nem sempre
fiel à tradução que dá. Acertamos a cópia e traduzimos de novo.
Obs.:
A nota acima está ao pé da página 293 da obra citada – V, VI – História da
Companhia de Jesus no Brasil – Serafim Leite.
A
igreja levantada pelo padre João Maria, mais ou menos em 1698, (veja o capítulo
“O berço de Santarém) tinha ao lado esquerdo uma pequena torre de madeira que
serviu de campanário; do lado direito ficava a casa dos missionários, feita tal
como a igreja, de taipa de mão com enchimento de madeira. Contava três
pavimentos avarandados, com janelas laterais dando para o nascente, e contígua
uma ‘belíssima e produtiva horta’ – dizia Bettendorf – numa dessas varandas
estavam pintados os aforismos em latim, copiados pelo bispo e transcritos neste
capítulo P.R.S.”
Outro dado muito importante de se
destacar é que em quase dois séculos e meio de existência, as manifestações
poéticas em Santarém foram praticamente de cunho oral, ou seja, não existem
fatos concretos que atestem um fazer poético na forma impressa anterior a 1853.
Esse inegável fazer poético indígena
anterior, nos seus milênios de tradição oral é um poderoso fixador das realidades
que trouxeram até nós uma noção dessa produção literária.
Além disso, servem para instaurar os
fatos presentes, preservando os do passado e fazendo um prognóstico dos fatos
vindouros.
Não cabe a este estudo entrar em
discussão inúteis a respeito da existência ancestral de uma tradição oral entre
os povos indígenas e, em digressões, por conta do debate que a questão suscita.
Mas, nos parece oportuno transcrever,
a seguir, algumas palavras de Alberto Manguel, expressadas em sua conceituada
obra “Uma história da leitura”, sobre essa transmissão literária de geração a
geração, para melhor esclarecê-la:
“As
palavras escritas, desde os tempos das primeiras tabuletas sumérias,
destinavam-se a ser pronunciada em voz alta, uma vez que os signos traziam implícito,
como se fosse sua alma, um som particular. A frase clássica scripta manent,
verba volant-que veio significar em nossa época, ‘a escrita fica, as palavras
voam’-costumavam expressar exatamente o contrário: foi cunhada como elogio a
palavra dita em voz alta, que tem asas e pode voar, em comparação com a palavra
silenciosa na página, que esta morta. Diante de um texto escrito, o leitor tem
o dever de emprestar voz às letras silenciosas, a scripta, a permitir que elas
se tornem, a permitir que elas se tornem, na delicada distinção bíblica, verba,
palavras – espírito. (Alberto Manguel, Uma história da leitura, p.61/62).
Além disso, ele fala
que:
Até boa parte da idade média, os
escritores supunham que seus leitores iriam escutar em voz alta as palavras a medida
que compunham. Uma vez que, em termos comparativos, poucas pessoas sabiam ler,
as leituras públicas eram comuns e os textos medievais repetidamente apelavam a
audiência para que prestassem ouvidos à
história. (idem, p. 63/64).
Ainda com relação à oralidade,
comenta sobre esse fazer, que era comum na Era Medieval:
“Reunir-se para ouvir alguém ler
tornou-se também uma prática necessária e comum ao mundo laico da idade média.
Até a invenção da imprensa, a alfabetização era rara e os livros, propriedade dos
ricos, privilégio de um pequeno punhado de leitores. Embora alguns desses
senhores afortunados ocasionalmente emprestassem seus livros, eles faziam para
um número limitado de pessoas da própria classe ou família. As pessoas que
queriam familiarizar-se com determinado livro ou autor tinham amiúde mais
chance de ouvir o texto recitado ou lido em voz alta do que segurar o precioso
volume nas mãos. (idem, p. 138).”
Esclarecida a questão da
tradição oral entre os povos, voltemos ao que interessa.
Para corroborar a
existência dessa tradição entre os habitantes de Santarém, buscamos dados
coletados em “Fatos da Literatura amazonense”, de Mário Ypiranga Monteiro.
Este nos fala dessas
manifestações primitivas, passadas de geração em geração, que inclusive foram documentadas
por viajantes que passaram pela Amazônia, conforme nos mostra a seguinte
citação:
“... se sabe que a literatura de
viagens não se descuidou de fixar esse aspecto cultural, a literatura oral
primitiva, documentando-a, posto que ainda não sem muita ênfase. Em 1774-75 o
ouvidor Francisco Ribeiro Sampaio, em correição pela capitania de São José do
Rio Negro, recolheu uma canção báquica dos índios Paraviara (26):
Uará xicaru xicaru
Carimanaruê
Iacamená iacamená
(Mário Ypiranga Monteiro, Fatos da literatura
Amazonense”, p. 227).”
Cientes dessa literatura
indígena ancestral, passaremos agora a falar sobre as manifestações poéticas de
cunho oral, que foram muito utilizadas pelos padres da Companhia de Jesus no
seu labor catequético e por seus missionados em outras situações da vida social
santarena da época.
A partir de 1661, com a chegada do padre João
Felipe Bettendorf na cidade, para instalar a “Missão dos Tapajós” por ordem do
subprior Antônio Vieira, abre-se um novo espaço para a produção poética de
cunho oral.
Encarregado da
evangelização dos gentios, o missionário contribuiu enormemente para o
surgimento das primeiras manifestações literárias em forma de verso.
No seu mister,
privilegiou este gênero por ser o mais adaptado às modalidades de comunicação
oral da época.
Tudo indica que as
razões dessa preferência devem-se a maior facilidade de conversão e catequese
que o gênero permitia, dando início ao que poderíamos chamar de gênese poética
santarena.
É incontestável que o
despertar literário em Santarém se deu por via oral e foi, sobremaneira,
potencializado pelos jesuítas.
Estes aplicaram sua
ideologia de escritores, impregnada com todos os matizes da Contra-Reforma, que
orientou o seu fazer catequético.
É este caminho que
trilhava e viria trilhar a poesia durante os primeiros séculos de existência da
cidade.
Para testemunhar a
realidade dessa literatura, tomamos novamente uma passagem das páginas de
“Tupaiulândia”, que nos falam do abnegado padre João Maria Gorzani.
Este chegou ao Pará em 1659 e foi escalado
para manter residência na “Missão dos Tapajós”:
“O maior afã do Padre João Maria, como
era mais conhecido, era catequizar, ensinar e congregar a juventude indígena.
Sem desprezar os adultos, o missionário dedicava grande parte do seu tempo a
meninada, os curumins e cunhantãs das aldeias. Como bom italiano sabia música e
canto. Sabia ‘tocar por solfa’ um instrumento a quem Bettendorf chamava de
‘gaitinha’ que, provavelmente, não era mais do que o mesmo também denominava
‘gaitas’ os instrumentos de sopro que os índios fabricavam de tabocas e de
tíbias de suas vítimas. (Paulo Rodrigues dos Santos, Tupaiulândia, p.60).
Vale ressaltar que esta
prática de oralidade musical tinha que ser efetivada pelos padres destacados
para servirem nas missões.
Não era um fazer
isolado, iniciativa de um ou outro missionário dotado de qualidades musicais.
Era regra, pois:
“De acordo coma as diretrizes baixadas
pelo venerável padre Antonio Vieira os missionários deviam ensinar os seus
missionários a ler e escrever, e tanto quanto possível, tocar algum instrumento
e cantar para o acompanhamento dos atos religiosos. (idem, p.61)”.
Além disso, será o caso
de acreditar, a propósito do jesuíta, que este tenha percebido a vocação
irresistível do poema, numa aplicada composição didática que tinha um dever
superior a cumprir: levar a fé e os mandamentos religiosos à audiência, num
veículo ameno, agradável, diferente da prédica seca dos sermões.
Acresce ainda, que os
índios eram sensíveis a música e a dança. Por estas questões, entre outras, a
missão catequética dos poemas se cumpria assim com facilidade.
Como mencionado
anteriormente, as primeiras manifestações literárias ocorridas em Santarém
obedeceram à forma métrica. Independentemente do prestígio que o verso, de modo
geral gozou até o início do século XX em relação à prosa.
As razões dessa
preferência devem-se também a maior facilidade de divulgação através da poesia,
como nos mostra Mário Ypiranga Monteiro, na seguinte passagem, sobre o
surgimento amazonense, particularmente em Manaus:
“Cumpre advertir que sem dúvidas era
mais fácil e talvez mais cômodo a evasão pela poesia [...] nada obstante o
contato permanentes com a literatura nacional e estrangeira, a partir de 1840,
cerca. É possível mesmo considerar como relevante o fato de que não existindo
ainda biblioteca pública, nem jornal, a literatura de ficção penetrava nas
camadas mais distintas por meio dos romances em português e francês e nas
camadas menos ilustradas pela oralidade. Assim, uma porção de pessoas poderia
conhecer as lendas sagradas, os romances de aventura ou de amor por intermédio
daquilo que se conheceu antes pelo nome de marandueiros (contadores de estória,
repetidores) e hoje, pelo de escritores. É de admitir-se que certas obras
literárias ou resumo delas não penetrassem no círculos honestos das famílias
rurais, onde o jovem ainda era o mancebo e a mocinha a cunha, mas também é
duvidoso que jovens de ambos os sexos ignorassem os famosos amores de Paulo e
Virgínia, Romeu e Julieta, Otelo e Desdêmona. Ninguém deve ignorar que os
poemas era retidos de cor para ocasiões solenes, como não eram ignoradas as
valsas de Castro Alves e de outros poetas. Como se adquiriram tais
conhecimentos, antes do jornal e da biblioteca pública não fora pela
comunicação oral (livros passam de mão em mão) por intermédio daquela poderosa
figura que era o mascate fluvial ? (Mario Ypiranga, Fatos da Literatura
Amazonense, p.32).
A figura dos
marandueiros ou contadores de história é prova irrefutável dessa fase literária
oral em toda a Amazônia.
Mas busquemos outras
peças que possam validar ainda mais a tese da oralidade, defendida por este
trabalho.
Em “Romanceiro Mocorongo
ou a quase História de Santarém”, de Éfrem Neves Galvão, encontramos um caso de
cerimônia fúnebre, onde o fazer poético se manifesta.
A ocorrência foi
registrada em maio de 1800, conforme a seguinte citação:
“O sepultamento de Cristina Diniz
Fernandes teve o maior acompanhamento até então acontecido na vila (Santarém).
O corpo velado na igreja por exigência das netas e de outras pessoas de
destaque estava coberto de flores e de outros enfeites de tecidos coloridos.
[...] Ao lado da cova, após as orações do vigário, o juiz ordinário disse
palavras bonitas a respeito da finada e o marido de Josefina recitou uma poesia.
(Éfrem Neves Galvão, Romanceiro Mocorongo ou a Quase História de Santarém,
p.34).”
Outro indício dessa literatura oral
encontramos em “Santarém: Momentos Históricos”, de Wilde Dias da Fonseca.
De acordo com o ilustre
historiador santareno, Henry Walter Bates, ao passar pela cidade observou seus
costumes e, sobre estes, deixou o seguinte comentário escrito em suas memórias:
“As baladas cantadas com
acompanhamento musical de violão não eram aprendidas de música escrita ou
impressa, mas ensinadas oralmente de um amigo a outro. Nunca se falava delas
como cantos, mas se chamavam ‘modinhas’, cada qual tendo seu dia, dando lugar a
próxima, trazida da capital por algum rapaz. (Wilde Dias da Fonseca, Santarém:
Momentos Históricos, p.43).”
E não se esgotam
exemplos de manifestações vocais. No seguinte, percebemos a tradição verbal num
fazer poético dos escravos:
“... e as mucamas, ao acalentarem seus
filhos, entoavam ameaçadoras melopéias.
- Cala aboca molequim (ou sinhozim),
Cala a boca e dorme já
Senão nego calhambola
Vem de noite te busca.
Calhambola ta na porta,
Ta querendo te leva...
(Paulo Rodrigues dos Santos,
Tupaiulândia, p.312/313.)”
As sequências anteriores reafirmam a oralidade que caracterizou o percurso
inicial da poesia santarena.
Além disso, endossam a
hipótese defendida por este estudo, dá não existência de obras poéticas em
forma impressa, anterior a 1853, quando foi implantada a primeira tipografia na
cidade.
É certo que durante esse
período Santarém teve seus poetas que, com certeza, escreveram seus poemas,
mas, estes, ficaram perdidos no tempo, provocando uma lacuna irreversível no
acervo poético mocorongo.
Para finalizar este
primeiro tópico da pesquisa, não poderíamos deixar de transcrever alguns dados
da nota liminar de “Introdução à Literatura no Pará”, de Clóvis Meira, José
Ildone e Acyr Castro, que nos flam sobre o fazer poético no Pará no século
XVIII.
“... a ilustre professora Annunciada
Chaves, em brilhante conferência sobre ‘traços da cultura paraense’, situa o
despontar do Pará na obra de Bento Figueiredo Tenreiro Aranha, aparecida na
segunda metade do século XVIII. Isto equivale dizer que de 1616 a 1769, por
mais de 150 anos, o Pará foi improdutivo cultural ou literariamente.
A apreciada mestra completa a sua
observação e reproduz um esplêndido soneto de Tenreiro Aranha, por ser uma das
mais antigas manifestações da literatura paraense.”
Sendo Santarém parte
desse imenso Pará, o que ocorreu na cidade não foi diferente do resto do
Estado, onde a cultura e a literatura surgiram tardiamente, no compasso do
desenvolvimento dos púlpitos, dos núcleos religiosos e missionários que iam
brotando por toda parte.
Conclusões:
1.
Os dísticos latinos na
varanda do alojamento dos jesuítas, na Missão dos Tapajós, são considerados as primeiras manifestações
poéticas de que se tem notícia em solo santareno.
2.
A oralidade marca o
percurso inicial da poesia em Santarém.
3.
Com fins didáticos e
para a elaboração do pretenso panorama poético santareno, estabelecemos que o
percurso inicial desse cenário acontece entre 1626 e 1853 e foi intitulado “A Gênese
Poética Santarena – fase oral”.