domingo, 22 de julho de 2012

POEMÁTICA MOCORONGA


Versos...versos...versos...
Versos... quantos nem sei, chorando ou rindo,
Desperdicei no meu peregrinar...
Versos, versos de amor que nasce lindo.
E nos ilude para nos deixar...

Versos nascidos em momentos nobres
De ânsias infindas de lutar, vencer...
Versos carpindo, desditados pobres,
Rimas plangendo agruras do viver...

Versos moldados na amizade terna
Que nos enleia e que nos faz feliz...
Versos cultuando a natureza eterna,
Glorificando as glórias do País...


Versos festivos, versos de noivados,
Rimas gentis, garridos madrigais...
Galanteios medidos e rimados,
Doiradas ilusões não votam mais...

Versos... quantos, nem sei, calmo ou nervoso
Qual desperdiçador, quantos compus...
Versos, versos de amor, versos de gozo,
Versos feitos de lágrimas e de luz...

Versos que eu fiz cantando a mocidade,
A mocidade em flor do meu torrão...
Versos de dor e de infelicidade,
Mas versos naturais do coração...

E quantos versos meus hoje dispersos,
Perdidos como os ais de um sofredor...
E até no cemitério eu tenho versos,
A traduzir saudades e alheia dor...

Quando eu morrer, fugindo a desventura,
Quem sabe se terei – o mundo é assim...
Quem vá deitar na minha sepultura,
Um punhado de versos sobre mim...
(Flávio Tapajós)


(Paulo Rodrigues dos Santos, Tupaiulândia, p.411/412)

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