Versos...versos...versos...
Versos... quantos nem
sei, chorando ou rindo,
Desperdicei no meu
peregrinar...
Versos, versos de amor
que nasce lindo.
E nos ilude para nos
deixar...
Versos nascidos em momentos nobres
De ânsias infindas de lutar, vencer...
Versos carpindo, desditados pobres,
Rimas plangendo agruras do viver...
Versos moldados na
amizade terna
Que nos enleia e que nos
faz feliz...
Versos cultuando a
natureza eterna,
Glorificando as glórias
do País...
Versos festivos, versos de noivados,
Rimas gentis, garridos madrigais...
Galanteios medidos e rimados,
Doiradas ilusões não votam mais...
Versos... quantos, nem
sei, calmo ou nervoso
Qual desperdiçador,
quantos compus...
Versos, versos de amor,
versos de gozo,
Versos feitos de
lágrimas e de luz...
Versos que eu fiz cantando a mocidade,
A mocidade em flor do meu torrão...
Versos de dor e de infelicidade,
Mas versos naturais do coração...
E quantos versos meus
hoje dispersos,
Perdidos como os ais de
um sofredor...
E até no cemitério eu
tenho versos,
A traduzir saudades e
alheia dor...
Quando eu morrer, fugindo a
desventura,
Quem sabe se terei – o mundo é
assim...
Quem vá deitar na minha sepultura,
Um punhado de versos sobre mim...
(Flávio Tapajós)
(Paulo Rodrigues dos
Santos, Tupaiulândia, p.411/412)
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