domingo, 22 de julho de 2012

POEMÁTICA MOCORONGA


A Gênese Poética Santarena 
Fase Oral

E
sboçar um panorama poético santareno significa transcrever e analisar alguns textos que apresentam uma existência histórica bem definida e foram escritos por pessoas que realmente existem ou existiram em determinadas datas de existência do município.
Por conta disso, este estudo preocupa-se, neste primeiro momento, em traçar a linha cronológica, que será adotada para organizar as ocorrências da fenomenologia poética santarena.
Cabe ainda destacar, que socorremo-nos da história para explicar os acontecimentos artísticos, estabelecendo, de modo resumido, as conexões entre determinados fenômenos literários e a situação política, social ou econômica da cidade.
Tomamos como datas bases os anos de 1626, 1853 e 1971.
A data inicial considerada pela pesquisa é o ano de 1626. Foi nesse tempo que:
“A tropa de resgates [...] sob a chefia de Pedro Teixeira e com a assistência de Frei Cristovam de São José, vinte e seis soldados e muitos índios mansos chegou à Taba dos Tupaius, depois chamada Tapajós, o maior aldeamento da região que teria cerca de quinhentas famílias ou casas... (Paulo Rodrigues dos Santos, Tupaiulândia, p.27)
Nessa época Santarém era um bucólico aldeamento indígena cuja paisagem assim foi descrita pelo renomado historiador Paulo Rodrigues dos Santos.
“... orlada em três faces de espessa mataria onde vicejavam uipirangas, murucis, cajus, itaubaranas, tinha que, de permeio, uma ou outra choça indígena, de vez que o grosso da maloca se estendia para o centro da enseada sombreada e belo arvoredo que, em tempo de enchente, ia-se mirar nas águas cristalinas onde se banhavam os silvícolas e brincavam os curumins e cunhantãs da tribo. Aquela ocara-açu era a sala de vistas dos tupaius; na praia em frente ficava o porto predileto, onde encostavam igaras e igarités. (idem, p. 370)
Partimos, portanto, deste primeiro momento histórico, quando Santarém ainda era a ocara-açu dos tupaius, para dar início ao nosso estudo.
É bom salientar também, que a tomada do ano de 1626 como o marco cronológico inicial deste trabalho deve-se ao fato dele ser considerado pelos estudiosos como a data oficial do descobrimento de Santarém.
Vejam o que diz Paulo Rodrigues dos Santos:
“... Em geral, qualquer compêndio ou notícia que aborde os primórdios da antiga aldeia dos tupaius – SANTARÉM – toma como ponto de partida a viajem de Pedro Teixeira, em 1626. [...] Pedro Teixeira é incontestavelmente, o descobridor do rio Tapajós, pela mesma razão que fez de Cabral e de Colombo os descobridores do Brasil e da América. (idem, p.29)
Cumpre-nos ainda alertar que este estudo compactua com os pressupostos levantados pó Paulo Rodrigues dos Santos a respeito do descobrimento de Santarém e, acredita também nisto que ele diz:
“... a verdadeira história de Santarém deve ser contada, com maior ou menor exatidão, a partir de Pedro Teixeira. Antes disso resvalaremos pelo nebuloso campo da lenda, da ficção e das conjecturas. (idem, p.29).
Definida a data inicial do exame, partimos em busca das ocorrências que possam encorpar a pesquisa.
Primeiro fato. Ano de ocorrência – 1698, ou seja, 72 anos após visita de Pedro Teixeira.
Os vestígios das primeiras manifestações poéticas em solo santareno são relatadas no texto “Quando Santarém possuir academia” que abre a quinta parte da 3a edição de Tupaiulândia.
Por conta do seu importante conteúdo transcrevemos o texto a seguir:
“Padre Serafim Leite, S.I. na sua História da Companhia de Jesus no Brasil, volume IV, capítulo IV, quem tem o título de “Belas Letras e Teatro”, referindo-se à influência literário dos jesuítas no Brasil, a certo trecho diz o seguinte:
...E esse espírito de cultura humanística penetrava os sertões e deles se encontravam vestígios na Amazônia, como naquela aprazível varanda da residência dos jesuítas na Aldeia de Tapajós (hoje cidade de Santarém), lugar de recolhimento e descanso em cujos tarjões de teto pintado, se desenhavam inscrições latinas. Conservavam-se 7 dísticos, reminiscências da Belas-Letras clássicas, acomodados todos à local de repouso e retiro, convidando ao silêncio, à discrição, amor do próximo, modéstia e constância na adversidade.

Dísticos latinos escritos pelos jesuítas
I
Tutius este homini taciturnan vitam
Quam secum sócios prosus habere malos
(É mais seguro ao homem levar vida calada do que fazer consigo companheiros maus)
II
Quando voles alios verbis mordere
Caninis foeda cordis respice, mutus eris
(Quando morder os outros com palavras caninas (afiadas) olha as nódoas do teu coração e ficarás calado)
III
Omnibus obsequim praestabis, ut omnis honoret te bônus,
A nullo dedecorere malo
(Sê prestável a todos, para que o bem te honre, e não te desonre o maus)
IV
Rara juvant ânimos, crebris fit náusea rebus, gratior et fueris quo minus ipse frequens
(As coisas raras animam, o enfado nasce das coisas repetidas: tanto mais estimado serás, quando fores menos assíduo)
V
Fortunam adversam debes tolerare ferendo,
Contingat forsan ne tibi deterior
(Deves levar com paciência a fortuna adversa; não te suceda talvez outra pior)
VI
Multis língua nocet, nocure silentia nulli,
Lingua dedit vitam clausa, reclusa necem
(A muito prejudica a língua, o silêncio a ninguém, Língua fechada deu vida; deu morte à desenfreada)
VII
Déficit amborus qui vult servire duobos, plurima
Conantes prendere pausa ferunt
(Falta a ambos quem quer servir a dois. Quem tenta colher muito, leva pouco.)
(Quem muito abarca pouco aperta...)

Quando Santarém possuir academia, tem onde colher os primeiros elementos de sua vida literária, (1) D. Fr. João de S. José- “Viagens e Visita do Sertão” na Ver. Do Inst. Brás. IX – 2 ed. (1869) 78-80. “Dizem correr esta obra por conta do P. Joaquim de Carvalho”. Nem sempre foi correta a cópia de D. Fr. João, nem sempre fiel à tradução que dá. Acertamos a cópia e traduzimos de novo.
Obs.: A nota acima está ao pé da página 293 da obra citada – V, VI – História da Companhia de Jesus no Brasil – Serafim Leite.
A igreja levantada pelo padre João Maria, mais ou menos em 1698, (veja o capítulo “O berço de Santarém) tinha ao lado esquerdo uma pequena torre de madeira que serviu de campanário; do lado direito ficava a casa dos missionários, feita tal como a igreja, de taipa de mão com enchimento de madeira. Contava três pavimentos avarandados, com janelas laterais dando para o nascente, e contígua uma ‘belíssima e produtiva horta’ – dizia Bettendorf – numa dessas varandas estavam pintados os aforismos em latim, copiados pelo bispo e transcritos neste capítulo P.R.S.” 
Outro dado muito importante de se destacar é que em quase dois séculos e meio de existência, as manifestações poéticas em Santarém foram praticamente de cunho oral, ou seja, não existem fatos concretos que atestem um fazer poético na forma impressa anterior a 1853.
Esse inegável fazer poético indígena anterior, nos seus milênios de tradição oral é um poderoso fixador das realidades que trouxeram até nós uma noção dessa produção literária.
Além disso, servem para instaurar os fatos presentes, preservando os do passado e fazendo um prognóstico dos fatos vindouros.
Não cabe a este estudo entrar em discussão inúteis a respeito da existência ancestral de uma tradição oral entre os povos indígenas e, em digressões, por conta do debate que a questão suscita.
Mas, nos parece oportuno transcrever, a seguir, algumas palavras de Alberto Manguel, expressadas em sua conceituada obra “Uma história da leitura”, sobre essa transmissão literária de geração a geração, para melhor esclarecê-la:
“As palavras escritas, desde os tempos das primeiras tabuletas sumérias, destinavam-se a ser pronunciada em voz alta, uma vez que os signos traziam implícito, como se fosse sua alma, um som particular. A frase clássica scripta manent, verba volant-que veio significar em nossa época, ‘a escrita fica, as palavras voam’-costumavam expressar exatamente o contrário: foi cunhada como elogio a palavra dita em voz alta, que tem asas e pode voar, em comparação com a palavra silenciosa na página, que esta morta. Diante de um texto escrito, o leitor tem o dever de emprestar voz às letras silenciosas, a scripta, a permitir que elas se tornem, a permitir que elas se tornem, na delicada distinção bíblica, verba, palavras – espírito. (Alberto Manguel, Uma história da leitura, p.61/62).
Além disso, ele fala que:
Até boa parte da idade média, os escritores supunham que seus leitores iriam escutar em voz alta as palavras a medida que compunham. Uma vez que, em termos comparativos, poucas pessoas sabiam ler, as leituras públicas eram comuns e os textos medievais repetidamente apelavam a audiência para que prestassem ouvidos  à história. (idem, p. 63/64).
Ainda com relação à oralidade, comenta sobre esse fazer, que era comum na Era Medieval:
“Reunir-se para ouvir alguém ler tornou-se também uma prática necessária e comum ao mundo laico da idade média. Até a invenção da imprensa, a alfabetização era rara e os livros, propriedade dos ricos, privilégio de um pequeno punhado de leitores. Embora alguns desses senhores afortunados ocasionalmente emprestassem seus livros, eles faziam para um número limitado de pessoas da própria classe ou família. As pessoas que queriam familiarizar-se com determinado livro ou autor tinham amiúde mais chance de ouvir o texto recitado ou lido em voz alta do que segurar o precioso volume nas mãos. (idem, p. 138).”
Esclarecida a questão da tradição oral entre os povos, voltemos ao que interessa.
Para corroborar a existência dessa tradição entre os habitantes de Santarém, buscamos dados coletados em “Fatos da Literatura amazonense”, de Mário Ypiranga Monteiro.
Este nos fala dessas manifestações primitivas, passadas de geração em geração, que inclusive foram documentadas por viajantes que passaram pela Amazônia, conforme nos mostra a seguinte citação:
“... se sabe que a literatura de viagens não se descuidou de fixar esse aspecto cultural, a literatura oral primitiva, documentando-a, posto que ainda não sem muita ênfase. Em 1774-75 o ouvidor Francisco Ribeiro Sampaio, em correição pela capitania de São José do Rio Negro, recolheu uma canção báquica dos índios Paraviara (26):
Uará xicaru xicaru
Carimanaruê
Iacamená iacamená
(Mário Ypiranga Monteiro, Fatos da literatura Amazonense”, p. 227).”
Cientes dessa literatura indígena ancestral, passaremos agora a falar sobre as manifestações poéticas de cunho oral, que foram muito utilizadas pelos padres da Companhia de Jesus no seu labor catequético e por seus missionados em outras situações da vida social santarena da época.
 A partir de 1661, com a chegada do padre João Felipe Bettendorf na cidade, para instalar a “Missão dos Tapajós” por ordem do subprior Antônio Vieira, abre-se um novo espaço para a produção poética de cunho oral.
Encarregado da evangelização dos gentios, o missionário contribuiu enormemente para o surgimento das primeiras manifestações literárias em forma de verso.
No seu mister, privilegiou este gênero por ser o mais adaptado às modalidades de comunicação oral da época.
Tudo indica que as razões dessa preferência devem-se a maior facilidade de conversão e catequese que o gênero permitia, dando início ao que poderíamos chamar de gênese poética santarena.
É incontestável que o despertar literário em Santarém se deu por via oral e foi, sobremaneira, potencializado pelos jesuítas. 
Estes aplicaram sua ideologia de escritores, impregnada com todos os matizes da Contra-Reforma, que orientou o seu fazer catequético.
É este caminho que trilhava e viria trilhar a poesia durante os primeiros séculos de existência da cidade.
Para testemunhar a realidade dessa literatura, tomamos novamente uma passagem das páginas de “Tupaiulândia”, que nos falam do abnegado padre João Maria Gorzani.
   Este chegou ao Pará em 1659 e foi escalado para manter residência na “Missão dos Tapajós”:
“O maior afã do Padre João Maria, como era mais conhecido, era catequizar, ensinar e congregar a juventude indígena. Sem desprezar os adultos, o missionário dedicava grande parte do seu tempo a meninada, os curumins e cunhantãs das aldeias. Como bom italiano sabia música e canto. Sabia ‘tocar por solfa’ um instrumento a quem Bettendorf chamava de ‘gaitinha’ que, provavelmente, não era mais do que o mesmo também denominava ‘gaitas’ os instrumentos de sopro que os índios fabricavam de tabocas e de tíbias de suas vítimas. (Paulo Rodrigues dos Santos, Tupaiulândia, p.60).
Vale ressaltar que esta prática de oralidade musical tinha que ser efetivada pelos padres destacados para servirem nas missões.
Não era um fazer isolado, iniciativa de um ou outro missionário dotado de qualidades musicais. Era regra, pois:
“De acordo coma as diretrizes baixadas pelo venerável padre Antonio Vieira os missionários deviam ensinar os seus missionários a ler e escrever, e tanto quanto possível, tocar algum instrumento e cantar para o acompanhamento dos atos religiosos. (idem, p.61)”.
Além disso, será o caso de acreditar, a propósito do jesuíta, que este tenha percebido a vocação irresistível do poema, numa aplicada composição didática que tinha um dever superior a cumprir: levar a fé e os mandamentos religiosos à audiência, num veículo ameno, agradável, diferente da prédica seca dos sermões.
Acresce ainda, que os índios eram sensíveis a música e a dança. Por estas questões, entre outras, a missão catequética dos poemas se cumpria assim com facilidade.
Como mencionado anteriormente, as primeiras manifestações literárias ocorridas em Santarém obedeceram à forma métrica. Independentemente do prestígio que o verso, de modo geral gozou até o início do século XX em relação à prosa.
As razões dessa preferência devem-se também a maior facilidade de divulgação através da poesia, como nos mostra Mário Ypiranga Monteiro, na seguinte passagem, sobre o surgimento amazonense, particularmente em Manaus:
“Cumpre advertir que sem dúvidas era mais fácil e talvez mais cômodo a evasão pela poesia [...] nada obstante o contato permanentes com a literatura nacional e estrangeira, a partir de 1840, cerca. É possível mesmo considerar como relevante o fato de que não existindo ainda biblioteca pública, nem jornal, a literatura de ficção penetrava nas camadas mais distintas por meio dos romances em português e francês e nas camadas menos ilustradas pela oralidade. Assim, uma porção de pessoas poderia conhecer as lendas sagradas, os romances de aventura ou de amor por intermédio daquilo que se conheceu antes pelo nome de marandueiros (contadores de estória, repetidores) e hoje, pelo de escritores. É de admitir-se que certas obras literárias ou resumo delas não penetrassem no círculos honestos das famílias rurais, onde o jovem ainda era o mancebo e a mocinha a cunha, mas também é duvidoso que jovens de ambos os sexos ignorassem os famosos amores de Paulo e Virgínia, Romeu e Julieta, Otelo e Desdêmona. Ninguém deve ignorar que os poemas era retidos de cor para ocasiões solenes, como não eram ignoradas as valsas de Castro Alves e de outros poetas. Como se adquiriram tais conhecimentos, antes do jornal e da biblioteca pública não fora pela comunicação oral (livros passam de mão em mão) por intermédio daquela poderosa figura que era o mascate fluvial ? (Mario Ypiranga, Fatos da Literatura Amazonense, p.32).
A figura dos marandueiros ou contadores de história é prova irrefutável dessa fase literária oral em toda a Amazônia.
Mas busquemos outras peças que possam validar ainda mais a tese da oralidade, defendida por este trabalho.
Em “Romanceiro Mocorongo ou a quase História de Santarém”, de Éfrem Neves Galvão, encontramos um caso de cerimônia fúnebre, onde o fazer poético se manifesta.
A ocorrência foi registrada em maio de 1800, conforme a seguinte citação:
“O sepultamento de Cristina Diniz Fernandes teve o maior acompanhamento até então acontecido na vila (Santarém). O corpo velado na igreja por exigência das netas e de outras pessoas de destaque estava coberto de flores e de outros enfeites de tecidos coloridos. [...] Ao lado da cova, após as orações do vigário, o juiz ordinário disse palavras bonitas a respeito da finada e o marido de Josefina recitou uma poesia. (Éfrem Neves Galvão, Romanceiro Mocorongo ou a Quase História de Santarém, p.34).”          
 Outro indício dessa literatura oral encontramos em “Santarém: Momentos Históricos”, de Wilde Dias da Fonseca.
De acordo com o ilustre historiador santareno, Henry Walter Bates, ao passar pela cidade observou seus costumes e, sobre estes, deixou o seguinte comentário escrito em suas memórias:
“As baladas cantadas com acompanhamento musical de violão não eram aprendidas de música escrita ou impressa, mas ensinadas oralmente de um amigo a outro. Nunca se falava delas como cantos, mas se chamavam ‘modinhas’, cada qual tendo seu dia, dando lugar a próxima, trazida da capital por algum rapaz. (Wilde Dias da Fonseca, Santarém: Momentos Históricos, p.43).”
E não se esgotam exemplos de manifestações vocais. No seguinte, percebemos a tradição verbal num fazer poético dos escravos:
“... e as mucamas, ao acalentarem seus filhos, entoavam ameaçadoras melopéias.
- Cala aboca molequim (ou sinhozim),
 Cala a boca e dorme já
Senão nego calhambola
Vem de noite te busca.
Calhambola ta na porta,
Ta querendo te leva...
(Paulo Rodrigues dos Santos, Tupaiulândia, p.312/313.)”
 As sequências anteriores reafirmam a oralidade que caracterizou o percurso inicial da poesia santarena.
Além disso, endossam a hipótese defendida por este estudo, dá não existência de obras poéticas em forma impressa, anterior a 1853, quando foi implantada a primeira tipografia na cidade.
É certo que durante esse período Santarém teve seus poetas que, com certeza, escreveram seus poemas, mas, estes, ficaram perdidos no tempo, provocando uma lacuna irreversível no acervo poético mocorongo.
Para finalizar este primeiro tópico da pesquisa, não poderíamos deixar de transcrever alguns dados da nota liminar de “Introdução à Literatura no Pará”, de Clóvis Meira, José Ildone e Acyr Castro, que nos flam sobre o fazer poético no Pará no século XVIII.
“... a ilustre professora Annunciada Chaves, em brilhante conferência sobre ‘traços da cultura paraense’, situa o despontar do Pará na obra de Bento Figueiredo Tenreiro Aranha, aparecida na segunda metade do século XVIII. Isto equivale dizer que de 1616 a 1769, por mais de 150 anos, o Pará foi improdutivo cultural ou literariamente.
A apreciada mestra completa a sua observação e reproduz um esplêndido soneto de Tenreiro Aranha, por ser uma das mais antigas manifestações da literatura paraense.”
Sendo Santarém parte desse imenso Pará, o que ocorreu na cidade não foi diferente do resto do Estado, onde a cultura e a literatura surgiram tardiamente, no compasso do desenvolvimento dos púlpitos, dos núcleos religiosos e missionários que iam brotando por toda parte.
Conclusões:

1.        Os dísticos latinos na varanda do alojamento dos jesuítas, na Missão dos Tapajós, são  considerados as primeiras manifestações poéticas de que se tem notícia em solo santareno.
2.        A oralidade marca o percurso inicial da poesia em Santarém.
3.        Com fins didáticos e para a elaboração do pretenso panorama poético santareno, estabelecemos que o percurso inicial desse cenário acontece entre 1626 e 1853 e foi intitulado “A Gênese Poética Santarena – fase oral”. 

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