domingo, 22 de julho de 2012

POEMÁTICA MOCORONGA


Pródromo

A
 produção poética em Santarém é significativa. Este acervo, porém, está espalhado e precisa ser catalogado e sistematizado para, pelo menos espelhar sua evolução através do tempo.
Não se sabe por exemplo, quantos e quais são os livros de poesia já publicados na cidade.
Quais os poetas de maior destaque na literatura santarena? Quais os poetas que produzem mais livros de poesias? Qual o volume da produção de livros dentro das instituições de ensino superior? Qual o primeiro livro de poesia publicado em Santarém?
Estas são algumas das dúvidas que nós, professores, estamos impossibilitados de responder, por conta da situação concreta desconhecida que é a produção poética santarena. Nestes 349 anos de história e de crescimento da cidade, certamente já foram produzidas inúmeras páginas de poesia que, com certeza, estão perdidas ou esquecidas nos arquivos, sem serem relacionadas, socializadas e referidas, principalmente pelo fato de não constarem em livros.
Além disso, as fontes históricas oficiais e locais ainda não estão completamente levantadas, havendo por toda Santarém uma série de revistas e jornais que marcam a expansão da produção poética e devem ser levados em conta, quando se pretender elaborar a verdadeira história da poesia santarena.
Partindo dessa necessidade de sistematização é que incumbimo-nos de revolver um pouco o passado e dar vida às manifestações poéticas dos que vivem e viveram na terra santarena e, desta forma, contribuir efetivamente para que esta lacuna literária tome corpo, através do levantamento de dados e dos livros de poesia.
Esperamos que as informações sirvam para a preparação de novas realidades, que permitam aos interessados identificar informes necessários para a estruturação da fenomenologia poética santarena.
No ajuntamento das peças que serviram de pistas para o levantamento e estruturação de um passado poético santareno, tomamos como marco inicial deste trabalho o ano de 1626, quando foi descoberto oficialmente o aldeamento dos Tupaius, primórdios de Santarém.
Para a pesquisa de campo tomamos como base o ano de 1853, pois: Antes de 1853 não há, nem nos arquivos da Câmara, nem nas tradições populares, notícias de ter havido impressa em Santarém. Parece, portanto, fora de dúvidas que somente neste ano teve essa cidade a sua primeira tipografia. Pertencia ela aos senhores Mendes & Guerreiro, chegados da capital da Província em setembro desse ano de 1853. No dia três do mês seguinte foi assinado o termo de responsabilidade no Paço Municipal e ainda nesse mesmo mês de outubro viu a cidade de Santarém o seu primeiro jornal. Chamava-se Amazoniense (órgão da Amazônia) e saia uma vez por semana. (Paulo Rodrigues dos Santos, Tupaiulândia. P.325). 
Por fim, tomamos o ano de 1971, data em que foi publicada a 1a edição de “Tapaiulândia”, obra clássica da literatura santarena, do historiador e poeta Paulo Rodrigues dos Santos.
Partimos dessas datas em busca do corpus deste trabalho. A tarefa será árdua, principalmente pela dificuldade material.
Sabemos dessa problemática. Fomos alertados pelo texto. “O Garimpeiro da História”, que ilustra as primeiras páginas da 3a edição de “Tupaiulândia”.
Nele, o estudioso Lúcio Flávio Pinto conta-nos da tragédia que é a falta de documentação sobre os tão diversificados elementos das manifestações culturais dos santarenos, um povo que surpreendeu diversos viajantes que por aqui passaram: Henry Walter Bates, Spix, Matius, Wallace, Spruce, por conta das pretensões de se tornar uma civilização própria autóctone.
Não é só o conceituado Lúcio Flávio Pinto, que nos mostra essa dificuldade material, mas também os próprios poetas, como Felisbelo Jaguar Sussuarana.
O renomado Paulo Rodrigues dos Santos registra nas páginas de Tupaiulândia:  “... as quadras nas quais; poucos anos antes de sua morte (Felisbelo Jaguar Sussuarana, grifo nosso), ele reconhecia a dispersão de seus versos, “perdidos como os ais de um sofredor” (idem, p.411).
Eis, portanto, transcrito também na página seguinte, os versos, que tão bem retratam essa crua realidade que é a dispersão literária em Santarém.
Nossa pretensão está lançada. Esperamos que este pequeno trabalho escrito possa colocar a disposição do estudioso (estudante, professor, escritor, intelectual) fatos que ele não conhece, ou só conhece de citação ou conhece, mas não aprendeu.
Por fim, queremos destacar que sentimo-nos profundamente gratificados, por estarmos cumprindo nossa missão de socializar com a comunidade santarena o conhecimento adquirido em nossas leituras. Apresentamos a seguir, os resultados de nosso exame, que foram efetuados em 2003/2004. Boa leitura!

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